Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

olha

E não é que este blog já fez 2 anos há quase um mês?

Por começado pelas razões certas, já me habituei a depositar nele as coisas erradas.

Espero que gostem tanto como eu.

 

 

 

eu até nem gosto muito dele.

 


Segunda-feira, 1 de Março de 2010

"meninas, vamos ao shift"

 

"há imensa gente que agora deu em escrever assim, sem usar maiúsculas. a primeira vez que vi tal coisa foi nos textos de f. no jugular, aquele blogue que tem grandes amigas minhas e também uma cientista radical que suspira em inglês mas que não tem nada a ver com este assunto, foi só um aparte. depois vi a mesma mania aqui e ali na chamada blogosfera. há mesmo um escritor, valter hugo mãe, que até o próprio nome escreve assim, e depois vai por aí fora, em livros inteiros. alega ele que o faz porque "as palavras têm todas a mesma dignidade."


digo eu: ó mãe, arranja outra desculpa. tu queres é ser diferente e dar nas vistas. a dignidade das palavras não está na ortografia, está no uso que lhes deres. e a dignidade da tua escrita está no que ela traduz, não nos sinais gráficos que usas. poupa-me. a bem dizer, poupas-me mesmo, porque até pode ser que escrevas bem, mas nunca li nem me apetece ler nada teu, pelo menos enquanto escreveres assim e os teus textos tiverem o aspecto deste que acabaste de ler . e se não acabaste, isso só prova uma de duas coisas: ou que nem sabes que existo, que é de longe o mais provável, ou que este texto é uma chatice de ler.
 

para mim é. andou a humanidade durante séculos a apurar formas de tornar a escrita legível, balizando-a, introduzindo marcas que facilitem a leitura e a compreensão do texto, que permitam entrar nele não só pelo princípio e pelo fim mas também por pontos intermédios, tornando-o vivo e digno, com os seus altos e baixos, as suas colinas, vales e planícies como numa jornada em que a paisagem variada nos revela o que lhe está subjacente e nos incita a continuar, e vem esta gente dar cabo de tudo isso e tornar o texto numa seca altamente confusa e chata de ler.


é que nem se vê bem onde começam e onde acabam as frases nem se distingue deus de um deus qualquer, nem a maria dos prazeres dos prazeres da maria, nem se sabe se são os vieiras que comem vieiras ou as vieiras que comem os vieiras ou os lampreias as lampreias, ou vice-versa. e é uma chatice de ver. digam lá se esta porcaria tem alguma piada, esta uniformidade rebarbativa, estas riscas monótonas como bombazina barata, como um batalhão de ss - não, não é uma onomatopeia para serpentes, é a sigla de schutzstaffel, os tropas de choque do hitler, que marchavam alinhadinhos e todos iguais como as tuas palavras, ó mãe.


não, poupem-me a esse igualitarismo ortográfico, a esse ódio plebeu à caixa alta, a esse nivelamento oco, a esse relativismo bacoco. isso não é mais do que uma moda, como as calças à boca de sino, as patilhas em bico ou dizer "basicamente" de duas em duas frases. abaixo a ditadura da caixa baixa. abaixo a preguiça de carregar no shift e desactivar o capslock. shift happens, digo eu que também sei inglês. viva o progresso e as suas grandes conquistas. e, sobretudo, irmãos, deixem-se de tretas. a brincadeira foi gira, a ideia foi curiosa, teve muita graça, ha ha ha. agora escrevam como gente, que é para a gente os ler, que a gente agradece-vos muito o esforço, e à vossa família toda."

 

 

(com alguma relutância mas pela piada do post, veio o dito daqui)

 


Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

It can't be that hard

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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Mas afinal, quem é que manda aqui?


 

aqui mandam eles

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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Tenho uma amiga que escreve assim:

"O amor que lhe tinha era tanto quantos os grãos de areia que fechou na sua mão naquele longínquo dia, naquela longínqua praia. Tentou contá-los, um a um. Embebedou-se com o brilho desse punhado de milhares de milhões de grãos de areia e percebeu-os doutra maneira, ali mesmo enquanto os observava. Eles eram a eternidade que ele nunca poderia alcançar. Eles eram os anos que irremediavelmente ficavam por viver até ao fim da eternidade. Eles eram os curiosos e brilhantes seres que habitavam o mesmo planeta que ele, mas também outras galáxias, e que ele jamais iria conhecer. Eles, pequeninos e infinitos, eram mais do que aquilo que alguma vez viria a ser. E uma gaivota riu-se.
Passou um Verão inteiro, mergulhado em grãos de areia, enquanto ela, sua adversária, bronzeava o corpo já moreno e lambia, secretamente, o sal parasita que se depositava nos seus braços de sereia. Ele amava-a, mas tinha descoberto que mais importante que esse amor infinitamente belo eram os grãos de areia. Esses tais que o metiam a pensar e a engendrar esquemas matemáticos para escapar à mortalidade humana que desprezava. Ele podia ser uma hipótese eterna. Ele podia ser um quebra-cabeças que milhares de milhões de homens, tão minúsculos e interessantes quanto os seus grãos de areia, iriam estudar e nunca, em parte alguma das suas contas, iriam perceber.
Desafiaria toda a ciência e até o próprio e hipotético Deus, ser omnipresente a quem recorria quando não tinha sequer dinheiro para pagar a uma prostituta por um quarto de hora ou uma hora num quarto. Tarde demais. Os grãos fugiram-lhe por entre os dedos. A sua sereia, seca e salgada, aconchegou-se e adormeceu e sonhou com ele. E ele viu e ouviu tudo e compreendeu: era estar ali, no melhor dos melhores momentos da sua vida, ou era partir de encontro à eternidade.
Anos confusos e escuros passam-lhe pelos olhos e quase esquece essa história da praia. Lava-se com água morna e um sabão azul e branco. Veste roupa interior lavada e há quem lhe ofereça umas peúgas novas e quentes. Faz a sua rotina, desde o banho ao pequeno-almoço. Esquece que já foi alguém que esteve perto de descobrir a chave da imortalidade. Ofende esse mesmo ser omnipresente que outrora desafiou. Depois arrepende-se e pede-Lhe desculpas e oferece-se para Lhe limpar a casa.
O mundo tornou-se numa aldeia grande, onde toda a gente o conhece e despreza. Conclui que o seu velho fato já a nada nem ninguém impressiona. Mete nojo aos mais novos e pena aos mais educados. Mas ninguém lhe oferece mais do que um olhar expressivo. E é aí, perante esses olhares de nojo e pena expressos, que se recorda dela e se arrepende para o resto dos seus dias. De tudo. Dele próprio. Do nojo que se tornou. Do banho diário e da caridade cristã. Da devoção que ele próprio teve por esquemas erráticos e contas envenenadas. De nunca a ter olhado nos olhos. De nunca ter recolhido dos seus lábios a simplicidade do sentimento mais complicado e cobiçado por todos: o amor."

 

 

O blog é escuro, mas a sua escrita é brilhante.

 

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Anastasia

 

 

Roubado de uma forma vil ao Escritor Mais Rápido do Mundo

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