Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Eu também. E suponho que não seja o único.

O Ultraje

No PÚBLICO de anteontem, Luís Fernandes, da Universidade do Porto, ironizou sobre a transformação em pasta de papel, pelo grupo Leya, “de dezenas de milhares de livros de Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura, publicados pela ASA”.

Sempre quis comprar um dos livros destruídos: a antologia de poesia e prosa que Eugénio de Andrade fez e a ASA editou, com o nome maravilhoso e verdadeiro deDaqui houve nome Portugal. Era um livro bonito, grande, muito bem impresso e encadernado, sob a chancela da Oiro do Dia. Li-o na biblioteca de universidades inglesas mas, para vergonha minha (como já o tinha lido, num prenúncio dos malefícios da Internet), nunca o comprei; apesar de achar que, sendo caro, era barato para o que era. O papel era bom. A selecção era boa. Era um livro perfeito – e até hoje não o tenho.

Tenho ligações sentimentais ao grupo Leya (por causa d”O Independente) e ainda esta semana recebi uma proposta simpática e tentadora da Dom Quixote, que agora faz parte da Leya. Mas que posso fazer quando uma grande editora, recém-formada e sem qualquer tradição literária, transforma um livro que era caro de mais para eu comprar em pasta de papel? É de vomitar. Não podemos dar dinheiro a quem só pensa em dinheiro. José Saramago – mau escritor mas boa pessoa, na minha miserável opinião – foi enganado. Eugénio de Andrade e Jorge de Sena – um grande poeta e um génio – foram ultrajados.

 

Desejo sinceramente que a Leya se foda.

(Migue Esteves Cardoso, Público, 04 Março 2010)


Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Ah

Então é por isto que o Bardo escreveu quase sempre com cidades italianas como cenário?

Eu smpre pensei que fosse porque "Romeu e Julieta" vendesse melhor que "James e Ethel" ou que "O Mercador de Veneza" fosse mais digno que "O Taberneiro de Durham"...


Harmonices Mundi

Kepler defendia que Mercúrio seria o soprano, Vénus e Terra os contraltos, Marte o tenor e Júpiter e Saturno os baixos.

Assim, à Terra corresponderia ao modo frígio, o modo eclesiástico do Mi, ao meio-tom.

A melodia entoada pela Terra seria Mi-Fá-Mi,  Mi-Fá-Mi, Miserie e  Fami, da Miséria à Fome.

Evidentemente, continuaria a chorar.

 

 

do "Barroco Tropical", José Eduardo Águalusa

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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Orgy at Bruto's place

O ribatejano de Lanzarote, o Faulkner e a Nat Geo Music com o volume no 1, e só porque não dá para ser no 0.5.

 

Obsceno.

 

 

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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Poesia de bolso

"vou fazer um governo especial, só para mandar nos corações.

assim vai ser mais fácil chegar a ti, por tolas eleições"

 

Valter Hugo Mãe

(roubado de uma qualquer rede social)

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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Desafia-mos!

Ora, respondendo à JoJo, toma lá 3 dos livros que levava para uma ilha deserta:

 

Porque foi o último livro que me deu real prazer a ler.  Citando a A das Artes: "Raimund Gregorius é um conceituado e rigoroso professor de Latim e Grego numa universidade de Berna. Numa manhã chuvosa, quando ia para as aulas depara-se com uma mulher prestes a saltar de uma ponte. Convence-a a que não o faça. Depois, a mulher desaparece e apenas sabe que ela é portuguesa. À tarde, por acaso, encontra numa livraria um livro de um autor português, Amadeu de Prado, que foi médico e resistente durante o salazarismo.
Gregorius, ou Mundus, como é conhecido na Universidade, divorciado, começa a aprender português, deixa tudo para trás e apanha um comboio para Lisboa. Isto é apenas o início de uma história que para além de Lisboa e Berna, passa por Coimbra e Salamanca, não esquecendo o Cabo Finisterra." Um livro que conta uma história entrecortada com uma história paralela dentro da própria narrativa. O Comboio Nocturno para Lisboa é para ser devorado com atenção.

 

Agora imaginem um velho pescador, ainda forte do corpo mas cansado da vida. E com azar. Sem apanhar peixe há mais de 80 dias. Com tanto azar que até os pais do seu jovem aprendiz o proibem de ir à pesca com o velho Santiago. Mas ele insiste.E um marlim, provavelmente o maior que alguma vez viu, de 5 metros, pica a linha.

E é esta a batalha que, de tão crua e real, nos transporta para todo o tipo de metáforas com uma singularidade e uma escrita tão sem artifícios como só Ernest Hemingway conseguia.  

A luta constante pela sobrevivência, a necessidade de afirmação e de viver a vida pela vida..

O Velho e o Mar lê-se num fôlego e dá-nos uma lição de vida. 

  

 

 

A par d'A Pérola, também do John Steinbeck, este é um dos meus livros favoritos de sempre. 

Ratos e Homens conta a história de 2 trabalhadores rurais, Lennie, o bom gigante com a mente de uma criança e George, um homem pequeno e inteligente, cuja amizade é dolorosamente genuína.

Como o autor diria: "Try to understand men, if you understand each other you will be kind to each other. Knowing a man well never leads to hate and nearly always leads to love. There are shorter means, many of them. There is writing promoting social change, writing punishing injustice, writing in celebration of heroism, but always that base theme. Try to understand each other." 

Depois de andarem fugidos de uma quinta onde Lennie tinha sido acusado de atacar a mulher do proprietário, conseguem arranjar trabalho numa outra quinta e seguem o seu sonho de viver "off the fatta' the lan' . Não conto o resto. Este pequeno livro é um dilema moral a que volto ocasionalmente. Ainda mais agora que me devolveram o exemplar que tinha emprestado. Para ler muitas, muitas vezes.

 

 

Escrito isto, passo o desafio a quem o quiser apanhar.

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